CONHECENDO A PESSOA, A MISSÃO E A ESPIRITUALIDADE DE SÃO JOSÉ, por Padre José Antônio Bertolin, Oblato de São José.
23º dia – São José, prudentíssimo
São José foi constituído por Deus como chefe de sua família, para que, como servo fiel e prudente, guardasse com solicitude paterna o seu Filho Unigênito (Rc 8)
Buscando o crescimento espiritual: Com a sua prudência São José soube discernir, nas mais variadas circunstâncias, o verdadeiro bem para Jesus e Maria; tomarei essa sua virtude para a minha vida, particulamente quando se apresentarem situações questionantes em minha vida
- A prudência segundo Santo Tomás, é a “reta razão das coisas que devemos cumprir”. Esta virtude São José a praticou quando em sua angústia pensava em deixar Maria em segredo garantido assim a consciência segura de que a defendia de ser tida como uma adúltera. Também a praticou quando ao voltar do Egito e ao ouvir que Arquelau reinava na Judeia no lugar de seu pai Herodes, José se retirou na Galileia (Mt 2, 22). Eis a razão pela qual a Igreja o invoca com as palavras: “Eis o servo fiel e prudente, que o Senhor estabeleceu sobre sua família”. Na busca de fazer sempre a vontade de Deus, José praticou sempre a virtude da prudência, dado que esta “dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os meios adequados para realizá-los” (CIC 1806).
- Para o Patriarca São José Deus deu a importante tarefa de formar fisicamente, moralmente e espiritualmente a pessoa humana de Jesus na sua infância, adolescência, juventude e também na idade adulta, sempre o educando na oração, para a responsabilidade como cidadão, no conhecimento da lei e dos profetas, no conhecimento da história de seu povo, etc. José sabia que Jesus era enviado por parte de Deus para uma missão única e, portanto, tinha consciência que devia estar atento a tudo o que se lhe dizia respeito. Ele tinha ciência também que Deus lhe assegurava os meios necessários para realizar esta missão. Sabemos que a Revelação assegura que não existe santo estúpido ou imprudente; existe sim santos modestos, simples ou sem cultura, mas dedicados às virtudes e previdentes em fazer a vontade de Deus; este é o caso de São José.
- Ele foi prudente em não criar problemas, nem mesmo involuntariamente, sobre a virgindade e castidade de sua esposa. Ele foi prudente em levar Maria à Belém e em fugir imediatamente para o Egito para defender Jesus e em voltar para Nazaré. Ele foi prudente ao iniciar a vida partindo do nada no Egito e buscando os meios para a subsistência de sua família. Ele foi prudente em seu silêncio sobre a sua chegada no Egito e depois em Nazaré sobre a prodigiosa concepção virginal de Jesus por meio de sua esposa Maria. Ele foi prudente em sua serenidade no relacionamento com Jesus. Por isso, o silêncio de José exprimiu a sua prudência, pois assim testemunha Provérbios (11,12) “O homem prudente cala”, ou “Quem é prudente na palavra encontrará o bem” (16,18); da mesma maneira, o livro da Sabedoria (5,13) afirma que a prudência é fruto da oração. Em suma, como afirma a Redemptoris custo, José “foi constituído por Deus, chefe da sua família, para que, servo fiel e prudente, guardasse com paterna solicitude o seu Filho unigênito” (Rc 8).
- Rezemos: Glorioso São José, que gozastes durante tantos anos da presença filial e da afeição de Jesus, a quem tivestes a graça de alimentar e vestir e de educar, a vos suplico que me alcanceis o dom inefável de sempre viver em união com Deus pela graça santificante.
- Leitura: São Bernardo exprime a convicção: “Não resta dúvida que José, ao qual lhe foi confiada como esposa a Mãe do Salvador, de que realmente ele foi um homem bom e fiel. Verdadeiro servo fiel e prudente, este homem que o Senhor destinou para consolação da Mãe de Jesus, pai nutrício da humanidade do Salvador, e finalmente o coadjutor sobre a terra de seu grande mistério…”. Já na liturgia e no prefácio da Missa de São José, a Igreja reza: “Constituíste como servo fiel e prudente sobre a tua família, a fim de que com autoridade paterna guardasse o teu unigênito Filho, concebido por obra do Espírito Santo…”. Na opinião de muitos autores, diante do chamado divino de sua esposa, José, não conhecendo o significado daquele acontecimento na vida de Maria, ficou calado. Não ousou romper o silêncio divino que cercava sobre a sua esposa e no silêncio prudentemente procurou a vontade de Deus, Portanto, o amor à sua esposa e a obscuridade daquele mistério que o tocou profundamente o envolveu num silêncio total e, em contraste, a sua justiça para com Deus e para com todos o impeliu deixar tudo nas mãos de Deus, confiando-lhe inclusive a sua esposa… Depois de compreender o desígnio de Deus a seu respeito, José não titubeou, lançou-se completamente no mistério que Deus lhe propusera, sem cálculos humanos. Superou na obediência da fé e do amor os limites angustiosos e as incertezas do seu próprio horizonte…” (São José, a imagem terrestre da bondade de Deus).