CONHECENDO A PESSOA, A MISSÃO E A ESPIRITUALIDADE DE SÃO JOSÉ, por Padre José Antônio Bertolin, Oblato de São José.
10º dia – São José, pai na sombra
São José teve o seu coração preparado e plasmado pelo Espírito Santo para que pudesse fazer as vezes do Pai Celeste aqui na terra em relação a Jesus e por isso ele é a sombra do Pai representando a pessoa de Deus ao Filho Salvador Jesus
Buscando o crescimento espiritual: Como São José foi a sombra de Deus Pai na vida de Jesus por meio de seu amor, de seu carinho e afeto; me empenharei em fazer com que eu seja uma sombra de amor, de carinho e de atenção para a vida dos meus irmãos e irmãs
- O Papa Francisco teve a feliz ideia de comparar São José como sendo a sombra do Pai Celeste para Jesus no decorrer do exercício de sua missão paterna de guardá-lo, de protegê-lo, de alimentá-lo, de educa-lo e de acompanhá-lo em todos os seus passos nos seus primeiros trinta anos de existência aqui na terra. Mas como podemos conceber José como a sombra do Pai? Antes de tudo, olhemos para o simbolismo da sombra a qual, à luz do sol, está sempre unida às pessoas, aos objetos, às coisas e os segue em todos os lugares. Pois bem, São José é a sombra do Pai que se projeta sobre Jesus, visto que esteve junto de Jesus desde a sua concepção até os seus primeiros trinta anos de vida na terra sempre lhe dando amor, protegendo-o, alimentando-o, educando-o, seja em Belém ou no Egito, e sobretudo, em Nazaré. Em todos esses anos Jesus obedeceu na pessoa de José o seu Pai Celeste representado neste humilde carpinteiro.
- Deus permaneceu escondido na pessoa de José e por isso mesmo as pessoas o tinham como pai de Jesus. Para essa sublime missão, Deus acendeu no coração deste simples carpinteiro de Nazaré a chama do seu amor e lhe deu a capacidade de amar de maneira suprema o seu próprio Filho enviado ao mundo e concebido no seio de Maria. Por isso, a nossa consagração a São José nos leva a tê-lo como um referencial no caminho de nossa vida cristã, e, portanto, nos ajudará a guardar Jesus em nossos corações como ele assim o fez. Sendo a sombra do Pai na vida de Jesus com o exercício de sua paternidade, José procurou ao mesmo tempo projetar a sombra sobre si mesmo. Decorre daqui a ênfase na virtude da sua humildade, do seu escondimento, do seu silêncio que tanto nos pode ajudar. Tudo em São José falava de Deus e nada nele falava de si mesmo. Toda a sua vida foi envolvida em escondimento, numa vida oculta, mas numa vida oculta que tinha a sua subsistência numa vida de interioridade pelo fato de que estava quotidianamente em contato com o mistério “escondido desde todos os séculos” e que veio estabelecer a sua morada sob o teto da sua casa.
- São João de Cartagena citando a frase de Provérbios 6,27: “Pode alguém carregar o fogo sem queimar a própria roupa?”, afirma que “José trazia em seu peito o fogo, isto é, Cristo. Aliás, infinitas vezes o tocou com suas mãos, trocou as suas roupas, vestiu-o, abraçou-o, beijou-o e certamente ardia em si de maneira fortíssima a chama do seu amor”. Em virtude disso, o Papa Francisco nos ensina a importância dos exemplos desse grande colaborador de Deus na ordem da nossa redenção que “soube amar de maneira extraordinariamente livre e nunca se colocou a si mesmo no centro; soube descentralizar-se, colocar Maria e Jesus no centro da sua vida”.
- Rezemos: Glorioso São José, eu vos peço, pelo coração paterno que Deus vos deu e pelo amor filial que Jesus teve por vós, de acompanhar-me na minha santificação. Sendo meu guia, meu pai e modelo. Tornai-me humilde, enchei-me do espírito de oração e fazei-me que eu ame de modo generoso a Jesus e a Maria, a fim de que, imitando as vossas virtudes eu atinja a felicidade dos eleitos. Amém.
- Leitura: O escritor polonês Jan Dobraczyński, no seu livro “A Sombra do Pai”, narrou a vida de São José em forma de romance. Com a sugestiva imagem da sombra, apresentou a figura de José, que foi para Jesus, a sombra na terra do Pai celeste, pois guardou-O, protegeu-O e seguiu os seus passos sem nunca se afastar d’Ele. “Lembra o que Moisés dizia a Israel: ´Neste deserto (…) vistes o Senhor, vosso Deus, conduzir-vos como um pai conduz o seu filho, durante toda a caminhada que fizeste até chegar a este lugar´ (Dt 1, 31). Assim José exerceu a paternidade durante toda a sua vida. A felicidade de José não se situava na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustração, mas apenas confiança. O seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança. O mundo precisa de pais, rejeita os dominadores, isto é, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu próprio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição” (Carta apostólica Patris corde 7)