CONHECENDO A PESSOA, A MISSÃO E A ESPIRITUALIDADE DE SÃO JOSÉ, por Padre José Antônio Bertolin, Oblato de São José.
26º dia – São José, obedientíssimo
Vemos em São José uma prontidão excepcional para a obediência e para a ação. Ele não discute, não duvida, não reclama direitos nem aspirações (Paulo VI)
Buscando o crescimento espiritual: São José oferece-nos o exemplo de docilidade, de pronta obediência e de aceitação da vontade de Deus aderindo à vontade do Pai em atitude de humildade e de obediência incondicional; seu exemplo de obediência será o estímulo para obedecer a Palavra de Deus com total solicitude e alegria em minha vida
- “Despertando do sono José fez como como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua esposa” (Mt 1,24), e nessa sua obediência José “recebeu-a com todo o mistério de sua maternidade; recebeu-a com o Filho que lhe havia de vir ao mundo, por obra do Espírito Santo. Demonstrou desse modo uma disponibilidade de vontade, semelhante à disponibilidade de Maria, em ordem àquele que Deus lhe pedia por meio do mensageiro” (Rc 3). O Papa Paulo VI complementa esse pensamento da Redemptoris custos com as palavras: “O que vemos em nosso querido e humilde personagem? Vemos uma extraordinária docilidade, uma prontidão excepcional para a obediência e para a ação. Ele não discute, não duvida, não reclama direitos nem aspirações. Dispõe-se totalmente a executar a palavra que lhe foi dirigida; sabe que sua vida desenrolar-se-á como em uma ação litúrgica, transfigurando-se, porém em um nível de pureza e sublimidade extraordinárias, muito acima de qualquer sonho ou cálculo humano” (Omelia 19 marzo 1968).
- São José nos ensina a docilidade em ouvir Deus que nos fala por meio de sua Palavra e dos acontecimentos; nos ensina a prontidão em executá-la e o obséquio à vontade de Deus que deve ser sempre norma para nós. Tudo para ele resolveu na obediência, e essa sua virtude característica não lhe era em vão se levarmos em conta que a casa de Nazaré foi a escola onde cresceu e foi educado na obediência o próprio Jesus, cuja vida oculta foi toda resumida pelo evangelista numa única expressão “era-lhes submisso” (Lc 2,51). Nenhuma palavra de questionamento ao pedido de Deus para ele, ao contrário, sempre dócil e disponível se dispôs a obedecer, mesmo nas situações mais dramáticas.
- Rezemos: Ó São José, modelo da vida interior, vós que fizestes de vosso silêncio admirável um diálogo contínuo com Deus e uma escuta constante de sua vontade, fazei com que também eu aprenda a viver em alegre e constante oração e que esteja sempre disponível a ouvir a voz de Deus e acolher a sua presença em minha vida.
Leitura: Foi com a disponibilidade em deixar tudo nas mãos de Deus que foi revelado a José o grande desígnio salvífico, e, assim como Maria tinha aderido à vontade do Pai em atitude de humildade e de obediência incondicional, também José o fez. Depois de compreender o desígnio de Deus a seu respeito, ele não titubeou, mas lançou-se completamente no mistério que Deus lhe propusera, sem cálculos humanos. Superou na obediência da fé e do amor os limites angustiosos e as incertezas do seu próprio horizonte. O contato com o mistério divino expulsou dele o temor e a escuridão e, mesmo de sua própria nulidade, pois tinha presente em sua mente a afirmação do Anjo: “Não temas…” (Mt 1,20). Por isso, São José foi apontado pelo Papa Paulo VI como o introdutor ao Evangelho das Bem-aventurança e apresentado como exemplo de docilidade e de pronta obediência na aceitação e no cumprimento da vontade de Deus. O mesmo Papa em sua homilia de 19 de março do ano de 1968, assim elogiava a obediência de São José: “O que vemos em nosso querido e modesto personagem? Nós vemos nele uma estupenda disponibilidade, uma prontidão excepcional de obediência e de execução. Ele não discute, não hesita, não reivindica direitos ou aspirações. Lança-se no serviço da palavra a ele dirigida; sabe que a sua vida se desenvolverá como um drama, mas que, porém, se transfigura em um nível de pureza e de sublimidade extraordinárias, bem além de qualquer espera ou cálculo humano” (São José, o participante da fase culminante da autorrevelação de Deus em Cristo).