CONHECENDO A PESSOA, A MISSÃO E A ESPIRITUALIDADE DE SÃO JOSÉ, por Padre José Antônio Bertolin, Oblato de São José.
22º dia – São José, o castíssimo esposo de Maria
Maria e José puderam, por inspiração divina, e de comum acordo, guardar plenamente o voto de castidade quando se uniram em matrimônio (Duns Scoto)
Buscando o crescimento espiritual: A castidade de São José foi a máxima expressão de sua doação a Maria e a sua sublime doação de consagração ao projeto de Deus; terei o meu amor casto para com todas as pessoas que encontrar
- Papa Pio XII escreveu que Jesus, o “nosso Redentor não apenas nasceu de um ventre virginal, mas também quis ser entregue aos cuidados de um guarda virgem”, portanto, entregue a São José, o guarda do Redentor. Essa virtude que São José viveu é muito importante para nós hoje que vivemos num mundo e numa sociedade que idolatram o sexo e colocam o prazer sensual como necessidade para alcançar a felicidade. Como Jacques Philippe diz: “A ausência de pureza de coração no uso da sexualidade, a mercantilização dos corpos, a hipererotização das relações interpessoais, o desaparecimento da menor noção de pudor e da castidade na mídia e a perda das referências quanto ao sentido da sexualidade humana, trazem consequências absolutamente dramáticas para as pessoas”.
- Diante de tal realidade, a pureza de São José nos chama profundamente a atenção. Tendo sido escolhido por Deus para ser o esposo da Santíssima Virgem Maria, São José a respeitou em todo momento, cuidando dela e preservando-a como a nova Arca da Aliança. Em nenhum momento ele a usou como um objeto, mas soube que ela, sendo a Mãe de Deus, tinha sido consagrada e separada para Deus e unicamente para Ele. Essa pureza vivida no matrimônio, que foi muito além do âmbito sexual, também permitiu a São José viver uma das bem-aventuranças que seu Filho Jesus iria pronunciar mais tarde na vida: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8).
- A virgindade de São José tem um sentido muito mais profundo pois é uma virgindade consagrada ao serviço do Filho de Deus; de fato, o Papa Pio XII em sua encíclica intitulada Sacra Virginitas (№ 1), afirma que a virgindade consagrada ao serviço de Deus está entre os bens mais preciosos deixados como herança à Igreja pelo seu Fundador, ou seja, por Jesus Cristo. A virgindade sempre foi ensinada pelos Padres da Igreja de forma que esta não é uma virtude cristã se não for praticada “por amor ao reino dos céus”, por isso precisa haver uma entrega completa para as coisas divinas de forma a fazer alcançar a bem-aventurança. Explica-se assim muito bem a vivência da virgindade de São José em razão de sua missão de esposo de Mãe de Deus e pai de Jesus.
- Rezemos: Bendito sejais São José, que fostes testemunha da glória de Deus na terra devido à vossa missão de pai de Jesus e esposo de Maria. Bendito sejais o Pai eterno que vos escolheu para ser seu colaborador no plano da salvação da humanidade. Bendito sejais o Filho que vos amou com amor filial e o Espírito Santo que vos santificou com sua força transformadora. Bendita sejais Maria, vossa amantíssima esposa que muito vos amou.
- Leitura: Santo Agostinho afirma que “José é esposo de Maria, sua mulher, na continência, não pela realidade carnal, mas pelo afeto; não pela união dos corpos, mas por aquilo que vale mais: pela comunhão de almas”. Afirma ainda que “Como Maria era castamente esposa, assim José era castamente marido e que o vínculo conjugal não é desfeito por uma decisão consensual de abster-se definitivamente do uso do matrimônio; de fato, em Mateus o anjo pede a José para não ter medo em tomar Maria como sua esposa, pois é o amor conjugal que a faz ser esposa… não se deve negar que sejam esposo e esposa aqueles que não se uniram, mas se reuniram com os corações”. Por isso, o mesmo Santo Agostinho, prossegue afirmando que o matrimônio de José com Maria, foi destinado para acolher e para educar a Jesus e que, por isso, comportava necessariamente a máxima expressão da união conjugal, ou seja, o grau supremo do dom de si que exprime e garante essa gratuidade. Portanto, a virgindade de ambos não apenas não compromete a essência do matrimônio e da paternidade, mas a evidencia e a defende, segundo o já lembrado axioma agostiniano: “esposo tanto mais verdadeiro quanto mais casto”- “pai tanto mais verdadeiro, quanto mais casto”. Por fim, podemos buscar a defesa que comprova a virgindade de José em São Jerônimo, o qual, respondendo a Elvídio, contesta-lhe: ”Tu me dizes que Maria não permaneceu virgem; eu afirmo mais, ou seja, que também José foi virgem por causa de Maria, a fim de que desse consócio virginal nascesse o filho virgem. Neste santo homem não houve fornicação e não está escrito que ele tenha tido outra mulher… conclui-se, portanto, que permaneceu virgem com Maria aquele que mereceu de ser chamado pai do Senhor” (São José, aquele que exprimiu as perfeições de Deus na terra).