São José, glória da vida doméstica. (Ele veio habitar entre nós! #30)

CONHECENDO A PESSOA, A MISSÃO E A ESPIRITUALIDADE DE SÃO JOSÉ, por Padre José Antônio Bertolin, Oblato de São José.

30º dia – São José, glória da vida doméstica

Deus concentrou em São José, como num Sol de brilho inigualável, a luz e o  esplendor dos demais santos (Gregório Nazianzo)

Buscando o crescimento espiritual: Na sua casa São José cuidou dos seus dois maiores tesouros tendo para com eles todo amor que brotava de seu bondoso coração; seu exemplo torna-se para mim um imperativo para eu ser em meu lar uma luz para iluminar a minha família

  • Com a palavra glória ou decoro, nos vem em mente um conjunto de coisas com critério e com o objetivo de criar harmonia e beleza. Aplicar essa palavra a São José é reconhecer que ele com a sua presença e as suas atitudes no lar de Jesus e de Maria, proporcionava uma série de situações que embelezava a vida de sua família. Certamente os que frequentavam a sua casa constatavam nela uma atmosfera de harmonia entre eles três que era marcada por uma afetuosa acolhida e simplicidade; notavam a ordem da casa e saiam iluminados com esses exemplos que os olhos viam e com a alegria expressada nessa vida doméstica.
  • O amor comungado entre José e Maria favorecia o clima de uma família feliz, alegre, respeitosa e serena, mesmo nas dificuldades pelas quais passou; de fato São Bernardino de Sena estava convencido dessa verdade ao afirmar que: “Sendo que a Virgem Maria sabia o quanto era importante a unidade matrimonial no amor espiritual e sabia que José lhe fora dado pelo Espírito Santo como esposo para ser fiel guarda de sua virgindade e partícipe com ela do amor de caridade e na solicitude para com a divina prole de Deus, acredito que amava São José muito sinceramente e com o afeto de todo seu coração. Sendo que tudo o que é da esposa é também do esposo, creio que a bem-aventurada Virgem oferecesse livremente a José o tesouro do seu coração…”. Da mesma maneira, São José viveu essa glória em sua família porque, novamente São Bernardo nos ensina, “A ele (José) foi dada a graça de conhecer o mistério desconhecido a todos os príncipes deste mundo. Aquilo que numerosos reis e profetas desejaram ver e não viram foi dado a ele, José, que não apenas o viu e o ouviu, mas o carregou em seus braços, o guiou em seus passos, o abraçou, o beijou, o alimento e o protegeu”.
  • Rezemos: Ó glorioso São José, chefe da Sagrada Família, que fostes exemplo de mansidão, bondade, amor e honestidade, não olheis os muitos defeitos de minha família, que está longe de ser igual à vossa, mas olhai-a como poderá ser ela doravante se nos concederdes hoje e sempre o vosso patrocínio. Abençoai-nos ó querido São José.

Leitura: Foi a São José que Deus confiou os seus tesouros mais preciosos, Jesus e Maria. Foi ele que se tornou o singular mestre no serviço à missão de seu Filho Jesus, e ele, juntamente com a sua esposa, participou da fase culminante da autorrevelação de Deus na história dos homens. Foi José que pela força do vínculo matrimonial e como descendente de Davi, transmitiu a descendência legal ao Messias impondo-lhe o nome e declarando assim a sua autoridade de pai sobre ele. Deus procurou em todas as gerações, quem pudesse ser escolhido e dado como companheiro àquela que escolhera como Mãe do seu Filho eterno. Considerou a fé inabalável de Abraão, a pureza de alma de Isaac, a infatigável paciência e resignação de Jacó, a mansidão e a santidade de Davi, mas o seu olhar divino não repousou em nenhum deles. Foi apenas em José que Deus encontrou o homem que procurava segundo o seu coração, e foi sobre ele que recaiu a sua escolha. Em vista desta predileção de Deus por São José, São Bernardo dá esse bonito testemunho: “O Senhor encontrou José segundo o seu coração e lhe confiou com plena segurança o mais misterioso e sagrado segredo do seu coração. Desvendou a ele a obscuridade e os segredos da sua sabedoria, concedendo-lhe que conhecesse o mistério desconhecido de todos os príncipes deste mundo”. São José, conforme diz Olier, “foi dado à humanidade para exprimir visivelmente as adoráveis perfeições do Pai, para ser a sua imagem aos olhos do Filho de Deus”. Diante de tamanha grandeza, São José merece ser lembrado com o título de “glória da vida doméstica”. Este título nos revela que ele foi constituído por Deus, como rezamos numa das orações dirigidas a ele o “Protetor de sua casa e Príncipe de todos os seus bens”, e foi-lhe comunicada toda autoridade de que precisava para cumprir a sua missão de pai e também de esposo. Quem poderá entender a dignidade daquele que deu ordens ao próprio Deus, o qual lhe era sujeito e lhe obedecia? Os santos foram chamados servos de Cristo, São José, seu pai. Todos os santos foram sujeitos a Cristo, José, ao contrário, o teve como filho submisso e obediente. Jesus não teve receio de chamar de seu pai aquele que sua mãe lhe indicou, “olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos” – (São José, aquele que exprimiu as perfeições de Deus na terra).

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