São José, o Homem da Travessia (Padre Giovanni Erittu, Oblato de São José) (Domingo 02)

1. São José, o Homem da Travessia

Seja comprido ou curto, bom ou mau o caminho, enxergue-se ou não a meta com vista humana, devagar ou de pressa, contigo, José, estamos certos de que sempre caminhamos bem“. (São José Marello)

São José é o homem da travessia, que nos aponta o caminho a seguir, nos tempos conturbados que estamos vivendo. O deslocamento gera vida, esperança e abertura à novidade do Espírito Santo. O Papa Francisco no dia 19 de março do ano 2013, durante a celebração da Missa do início do seu pontificado, em sua homilia, apresentou São José como modelo de educador: quem humildemente guarda e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento.

José é aquele que sabe ouvir a Deus e se deixa guiar pela sua vontade, tornando-se sensível às pessoas que lhe são confiadas, sabendo ler os acontecimentos, com realismo e tomando as decisões mais sábias. Nele – comenta o Papa – vemos como se responde à vocação de Deus com disponibilidade, com prontidão, tendo como centro da vocação o Cristo Jesus.

São José, o “Guarda do Redentor”, é um homem justo e misericordioso. Silencioso e humilde. Aberto às surpresas de Deus e aos seus planos, mesmo que perturbem sua vida. Na contemporaneidade, mais do que nunca, a sua figura tem uma importância suma, precisamente porque vivemos a época em que a justiça, a misericórdia e a humanidade se tornaram pontos fracos. Ele pode nos oferecer as forças para irmos além das convenções sociais e deixar-nos guiar pelas surpresas de Deus, tornando-nos, todos os dias, “guardas” de um Jesus que deve crescer.

2. São José mostra-nos como fazer a travessia

Assim como São José, somos também constantemente deslocados por realidades que seguem outros caminhos diferentes dos nossos desejos e projetos. Somos postos diante de coisas que não teríamos escolhido.

Diante de tudo isso, qual é a nossa reação? O comum é queixar-nos, resignar-nos ou apagar-nos. A diferença entre todos nós e São José é que ele sempre deixou uma fresta aberta: escutou o Anjo no seu sonho e se dispôs a acolher esta voz e deixar-se guiar por ela. E nós? Somos capazes de deixar este espaço em nossa vida?

Trata-se de dizer o nosso “sim” ao plano de Deus, seguindo o exemplo de José e Maria. É simples e difícil ao mesmo tempo, mas não impossível.

Este “sim” transforma a nossa vida em uma aventura que nos leva a novos horizontes. A missão de São José pode ser comparada à de José do Egito, o filho de Jacó que, num período difícil de carestia, acabou conduzindo o povo de Israel para o Egito.

Ainda mais: a missão deste Santo pode ser comparada à de Moisés, que tirou o povo da escravidão do Egito e o conduziu para a Terra Prometida.

3. Quais são os traços de São José?

São José é um modelo de virtudes: homem justo, obediente, magnânimo, fiel, humilde, pobre, esposo santo, pai exemplar, silencioso, laborioso, generoso, de grande espírito de sacrifício, puro e casto… No documento “Patris Corde”, o Papa Francisco o chama de “pai na ternura e na obediência a Deus”.

A grandeza de São José sobrepuja, particularmente, no silêncio amoroso, na força das suas escolhas e ações. O amor é também silêncio. Este nasce da completa renúncia aos próprios gostos e tendências. Na verdade, é o amor mais próximo ao inefável amor silencioso como qual Deus nos ama. O amor dos Santos, embora tenha que concretizar-se nos gestos e nas atitudes, é santo na medida em que eles aceitaram obedecer ao projeto de Deus, deixando de lado os pequenos projetos humanos. Todos os Santos, mesmo os mais ativos, nutriam-se de contemplação silenciosa.

São José, ignorando as vozes humanas, ficou na escuta unicamente da voz de Deus.

Diante da misteriosa maternidade de Maria, assim aconteceu: aceitou a escuridão do mistério sem fazer perguntas. Será o Anjo de Deus, durante o sonho, a comunicar-lhe de não ter medo de aceitar Maria como sua esposa porque se tratava da intervenção do Espírito Santo. Desde então, o destino de São José será marcado, tornando-se Santo do amor que silencia, na obscura vida cotidiana à qual aparenta estar negada toda grandeza. Acolheu Maria em sua casa de Nazaré e, obediente, com ela, foi ao recenseamento na cidade de Belém e recebeu o Menino para assumir, aos olhos do mundo, o pai que educa e protege. Ele tornou-se para todos nós o exemplo verdadeiro da aceitação da própria vocação. Resposta obediente e silenciosa ao plano do Pai Celeste.

Na Sagrada Família, José é aquele que providencia e silencia diante do mistério de Deus. Suas palavras foram aquelas do amor taciturno, numa vida humilde e escondida até à sua morte.

4. O retrato de São José

São José não era dotado de particulares carismas e não apresentava algo extraordinário aos olhos de quem cruzava com ele. Simplesmente não se fazia notar. Dele, os Evangelhos não transcreveram nenhuma palavra. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo maravilhoso aos olhos de Deus. Por quê? Porque Deus vê o coração e, em São José, reconheceu um coração de pai capaz de dar e gerar a vida no cotidiano, conforme nos afirma o Papa Francisco.

O perfeito modelo de São José é encontrado na página evangélica das bem-aventuranças. São pinceladas que retratam o rosto deste Santo: “Bem-aventurados os pobres, os mansos, os misericordiosos, os que semeiam a paz, os perseguidos…” (cfr. Mt 5,1-11) No Evangelho de São Mateus (Mt 11,25-26) encontramos outra passagem significativa: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”.

De quem falava Jesus – comenta um escritor – senão do seu Pai (Abbá) terreno do qual sentiu bater o coração, quando o levantava no peito e lhe ensinava a exultar no espírito do Abbá do Céu, fonte do seu mistério?

5. São José educador

É natural pensar que um pai deixe traços profundos na vida do filho. Em seus pensamentos, na sua forma de agir e em todas as suas atitudes. As dimensões do ser humano de José tornaram-se evidentemente características pessoais em Jesus e encontraram nele a plena realização. Bastaria recordar: o amor pela natureza, o gosto da amizade, a hospitalidade, a valorização da mulher, a proximidade aos humildes, a compaixão pelo povo, a sinceridade, a honestidade, a disciplina, a sabedoria, a coragem e a liberdade colocando sempre em primeiro lugar a pessoa acima das leis…

Relendo o livro do Deuteronômio (Dt 32,11-14), podemos encontrar sintetizados os verbos de São José educador: encontrar, alimentar, guardar, apresentar metas (sonhos)…

Encontrar: procurar o filho até encontrá-lo em qualquer lugar. Alimentar: com pão substancial e não com substitutivos. Guardar: estar perto, acompanhar, ajudá-lo a ser perseverante… Apresentar metas: propor sonhos…

Enfim, o nosso Papa Francisco resumiu com 3 palavras-chave a missão de São José: dar sentido à vida, viver para servir e realizar o plano de Deus com fidelidade.

Nada melhor, para concluir estas simples reflexões, do que deixar a palavra ao nosso Santo Fundador São José Marello:

Indica-nos, José, o caminho, sustenta-nos a cada passo, conduz-nos para onde a Divina Providência quer que cheguemos“. (São José Marello)

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